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Justiça aponta uso de dinheiro, fé e roteiros para abusos e condena homem a mais de 150 anos de prisão em Limeira

Sentença detalha esquema que envolvia pagamentos via Pix, produção e venda de vídeos e aproximação facilitada por atuação em igreja


Por Redação Educadora Publicado 27/01/2026
Justiça aponta uso de dinheiro, fé e roteiros para abusos e condena homem a mais de 150 anos de prisão em Limeira
Foto: Reprodução/Freepik

A Justiça de Limeira (SP) condenou um homem de 33 anos a mais de 150 anos de prisão por crimes sexuais cometidos contra um adolescente de 13 anos no município. A decisão foi proferida na última sexta-feira (23) pela 2ª Vara Criminal.

De acordo com a sentença, o réu utilizou a função de coordenador de mídias sociais em uma igreja evangélica para se aproximar do adolescente e conquistar a confiança da família. A relação teve início em 2023, no ambiente religioso, e se intensificou após atividades do grupo de jovens e um acampamento promovido pela igreja.

As investigações apontaram que o homem apresentou à mãe da vitima a versão de que o adolescente realizava um trabalho de divulgação de conteúdos nas redes sociais. Com isso, o jovem passou a receber transferências bancárias frequentes, por meio de Pix, com valores variados, que eram descritos como pagamento ou salário.

Segundo a análise judicial, os repasses financeiros funcionavam como forma de controle, Conversas incluídas no processo mostram que, caso o adolescente se recusasse a cumprir atos sexuais previamente estabelecidos, os valores eram reduzidos. Em mensagens, o réu mencionava explicitamente a aplicação de descontos e realizava cálculos sobre os abatimentos.

A sentença também aponta que o mesmo mecanismo era usado para manter a aparência de legalidade diante da família. Quando o adolescente recebia roupas ou objetos, era orientado a informar que os valores seriam descontados do suposto pagamento pelo trabalho,

Ainda conforme a decisão, o homem produziu e gravou cenas de abuso envolvendo o adolescente em pelo menos dez ocasiões. As gravações seguiam roteiros enviados antecipadamente, com orientações sobre aparência e atos a serem praticados. O material, segundo a Justiça, era destinado tanto ao uso pessoal quanto à comercialização.

Parte dos abusos e das gravações ocorreu após cultos religiosos, quando o réu oferecia carona ao adolescente. O juiz destacou que o condenado se valeu da posição de confiança e da autoridade decorrentes de sua atuação na igreja para facilitar o acesso à vítima.

O caso foi descoberto após a mãe do adolescente acessar o computador do filho e encontrar mensagens que indicavam a negociação dos vídeos e instruções para as gravações. Após conversar com o adolescente, ela procurou a polícia e entregou o celular com as provas. Em audiência, a mulher relatou ainda ter tomado conhecimento de abordagens semelhantes feitas pelo homem a outros jovens da igreja.

Na decisão, o magistrado negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, destacando que ele permaneceu preso durante todo o processo e que não foram apresentados fatos novos que justificassem a soltura.

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