Usamos cookies e outras tecnologias para melhorar a sua experiência em nosso portal. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Morador de Americana é apontado pela PF como articulador de esquema de fraudes bancárias de R$ 500 milhões

Investigação indica uso de empresas de fachada e contas em nome de “laranjas” para obter empréstimos e lavar dinheiro; limeirense também foi preso


Por Redação Educadora Publicado 26/03/2026
Morador de Americana é apontado pela PF como articulador de esquema de fraudes bancárias de R$ 500 milhões
Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) identificou o morador de Americana (SP) Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como “Ralado”, como principal investigado em um esquema de fraudes bancárias que pode ter causado prejuízo de cerca de R$ 500 milhões a instituições financeiras em pouco mais de dois anos.

A apuração faz parte da Operação Fallax, deflagrada na manhã desta quarta-feira (25) pela PF de Piracicaba (SP), com apoio do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Polícia Militar (PM). A ofensiva ocorreu em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, incluindo ações na região de Americana, Limeira (SP) e Rio Claro (SP). Em Limeira, um homem de 41 anos foi preso no condomínio Fazenda Itapema. A polícia apreendeu celulares e máquinas de cartão de crédito.

A Justiça Federal autorizou 21 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão. Até o momento, 14 pessoas foram presas.

Entre os detidos, três têm ligação com Americana: dois moradores da cidade que foram encontrados em Angra dos Reis (RJ) e outro preso no próprio município. Já Thiago e a esposa, que vivem no condomínio Terras do Imperador, não foram localizados e seguem foragidos.

Estrutura de empresas fictícias

Segundo as investigações conduzidas pelo delegado Henrique Souza Guimarães, da PF em Piracicaba, o suspeito teria montado uma rede de empresas de fachada usada para aplicar fraudes financeiras e movimentar recursos ilícitos.

De acordo com o delegado Florisvaldo Emílio das Neves, que participou da operação, as informações sobre o investigado surgiram a partir de apurações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Piracicaba, iniciadas em 2024.

Como funcionava o esquema

A Polícia Federal aponta que Ralado criava centenas de empresas em nome de “laranjas”. Essas empresas eram usadas para abrir contas bancárias e solicitar empréstimos ou financiamentos em instituições como Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil.

Embora registradas formalmente, as empresas não tinham atividade econômica real. Elas eram utilizadas apenas para simular operações legítimas e obter crédito.

Para facilitar a liberação dos financiamentos, alguns gerentes bancários teriam sido cooptados, segundo a PF. As contas eram movimentadas por cerca de um ano, período em que o histórico financeiro era construído para melhorar a avaliação de crédito.

Depois disso, as movimentações eram interrompidas e as dívidas deixavam de ser pagas.

Ligação com grupo criminoso

A investigação também identificou conexões entre o esquema financeiro e um grupo criminoso de Rio Claro conhecido como “Bonde do Magrelo”.

De acordo com a PF, a organização atua em atividades como tráfico de drogas, armas e munições e teria ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.

Segundo os investigadores, a estrutura criada em Americana permitia movimentar valores provenientes dessas atividades ilegais, dando aparência de legalidade ao dinheiro.

Conexões com grupo financeiro

Durante as apurações, a Polícia Federal também encontrou indícios de contato entre o investigado e pessoas ligadas ao Grupo Fictor.

Entre os nomes citados na investigação estão Rafael Góis, sócio-fundador e CEO do grupo, e Luiz Rubini, ex-sócio da empresa. O grupo ganhou notoriedade após anunciar, em novembro do ano passado, uma tentativa de compra do Banco Master.

Com a operação em andamento, a Polícia Federal agora deve analisar os materiais apreendidos durante as buscas, além dos dados obtidos por meio das quebras de sigilo bancário e fiscal autorizadas pela Justiça.

✅ Curtiu e quer receber mais notícias no seu celular? Clique aqui e siga o Canal eLimeira Notícias no WhatsApp.