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Justiça manda soltar investigados por fraudes bancárias de R$ 500 milhões

Principal alvo da Operação Fallax, morador de Americana havia se entregado à PF na semana passada


Por Redação Educadora Publicado 01/04/2026
Justiça manda soltar investigados por fraudes bancárias de R$ 500 milhões
Foto: Reprodução

O empresário Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como “Ralado”, deixou a prisão nesta terça-feira (31) após decisão da Justiça Federal. Morador de Americana (SP), ele é apontado pela Polícia Federal (PF) como o principal investigado na Operação Fallax, que apura um esquema de fraudes bancárias que pode ter causado prejuízo de cerca de R$ 500 milhões a instituições financeiras.

A decisão que autorizou a soltura foi tomada pela juíza Maria Isabel do Prado, a mesma magistrada que havia determinado as prisões durante a operação. Além de Thiago, também foram liberados a esposa dele, Glaucia Juliana de Azevedo, e o cunhado, Julio Ricardo Iglesias Oriolo.

Os três haviam se apresentado voluntariamente na sede da Polícia Federal em Piracicaba (SP) na última sexta-feira (27), quando passaram a responder ao mandado de prisão expedido pela Justiça.

Segundo o delegado Florisvaldo Emílio das Neves, que atua na investigação, outras 15 pessoas presas durante a operação também foram colocadas em liberdade. Ele informou que o inquérito continua em andamento, com análise de documentos recolhidos nas buscas e de informações fiscais e bancárias. Caso seja necessário, os investigados poderão ser chamados para prestar depoimento.

Suspeita de esquema com empresas de fachada

As investigações apontam que o empresário teria criado centenas de empresas registradas em nome de “laranjas”. Essas companhias seriam usadas para abrir contas e solicitar empréstimos ou financiamentos em bancos como Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil.

De acordo com a PF, as empresas não possuíam atividade real e serviam apenas para dar aparência de legalidade às operações financeiras. Para facilitar a liberação de crédito, alguns gerentes bancários teriam sido cooptados pelo grupo, evitando verificações mais rigorosas.

As contas eram movimentadas por cerca de um ano para melhorar o histórico financeiro das empresas. Depois desse período, as movimentações cessavam e as dívidas deixavam de ser pagas.

Origem das apurações

A investigação teve início após o compartilhamento de informações entre o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Piracicaba e a Polícia Militar do Estado de São Paulo, que investigavam a atuação de um grupo criminoso de Rio Claro conhecido como “Bonde do Magrelo”.

Segundo a Polícia Federal, essa organização atua no tráfico de drogas, armas e munições e teria ligação com a facção Comando Vermelho. Durante as apurações, os investigadores identificaram que Thiago prestaria serviços de lavagem de dinheiro para o grupo.

O avanço do caso ocorreu após uma operação do Gaeco, em 2024, quando documentos apreendidos na casa de um investigado indicaram a relação do suspeito com empresas abertas em nome de terceiros e com a estrutura financeira utilizada nas fraudes. A partir desse material, a Polícia Federal passou a mapear as empresas e as contas bancárias envolvidas nas movimentações.

Contato com grupo financeiro

Durante o inquérito, os investigadores também identificaram contatos entre Thiago e pessoas ligadas ao Grupo Fictor. Entre os nomes citados estão Rafael Góis, sócio-fundador e CEO da empresa, e Luiz Rubini, ex-sócio do grupo.

A companhia ganhou destaque em novembro do ano passado ao anunciar uma tentativa de compra do Banco Master. As autoridades agora seguem analisando o material coletado para aprofundar as apurações sobre o suposto esquema.

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