Paciente de Limeira recebe polilaminina após decisão judicial inédita na região
Mulher de 55 anos, que ficou tetraplégica após acidente em Goiânia, recebeu a aplicação da molécula experimental na Santa Casa de Limeira; apenas 39 pessoas no mundo passaram pelo procedimento.


Uma paciente de 55 anos, moradora de Limeira (SP), tornou-se uma das poucas pessoas no mundo a receber a aplicação da polilaminina, molécula experimental utilizada em estudos voltados à recuperação de lesões medulares graves.
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O procedimento foi realizado no último sábado (23), no Hospital Santa Casa de Limeira, após decisão judicial.
Segundo apurado pela Educadora, a mulher sofreu um grave acidente automobilístico no início de janeiro, em Goiânia (GO), após um capotamento.
Ela sofreu lesão medular cervical traumática e ficou tetraplégica. Inicialmente, permaneceu internada em um hospital da capital goiana, mas não recebeu continuidade no protocolo envolvendo a polilaminina.
De acordo com especialistas, quanto mais cedo a aplicação ocorre após o trauma, maiores são as chances de recuperação neurológica do paciente.
Após receber alta, a paciente retornou para Limeira, onde mora atualmente. Familiares passaram então a procurar alternativas médicas em busca do tratamento.
A irmã da paciente, que vive na Inglaterra, entrou em contato com uma médica da cidade, que aceitou avaliar o caso mesmo sendo especialista em pediatria e neurologia pediátrica.
Segundo a profissional, a decisão foi motivada pela gravidade da situação.
“Apenas 39 pessoas no mundo receberam a polilaminina. É um ganho gigantesco para Limeira e região”, relatou Ana Júlia de Deus, cirurgiã geral, pós graduada em pediatria e em neurologia pediátrica
O caso foi conduzido pela advogada Camila Moraes.
Após analisar o quadro clínico, a médica submeteu o caso à plataforma do laboratório Cristália, responsável pelo fornecimento da molécula. Depois de diversas etapas e avaliações, a liberação do medicamento ocorreu na última sexta-feira.
A aplicação, porém, enfrentou resistência para ocorrer em ambiente hospitalar, o que levou a família a ingressar com ação judicial contra a Prefeitura de Limeira e a Santa Casa.
Na decisão, a Vara da Fazenda Pública de Limeira determinou, em caráter de urgência, que o município e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Limeira disponibilizassem um leito hospitalar adequado para a administração da polilaminina, sem custos à paciente.
A juíza destacou que o pedido não envolvia o fornecimento do medicamento experimental pelo poder público, mas apenas a estrutura hospitalar necessária para a aplicação, já que o fármaco, transporte e equipe especializada seriam fornecidos integralmente pelo laboratório.
Ainda conforme a decisão, havia risco concreto de agravamento irreversível do quadro clínico em caso de atraso no procedimento.
A paciente recebeu a aplicação no sábado. Segundo informações obtidas pela reportagem, apenas 39 pessoas no mundo receberam a polilaminina até hoje, o que torna o caso um marco para Limeira e região no contexto de tratamentos neurológicos experimentais.
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