Polícia pede prisão preventiva da dona de empresa de rope jump e solicita liberdade de dois investigados

Segundo inquérito sobre a morte de Maria Eduarda é concluído sem indiciar dois suspeitos por fraude processual; decisão agora cabe à Justiça


Por Redação Educadora Publicado 02/07/2026
Polícia pede prisão preventiva da dona de empresa de rope jump e solicita liberdade de dois investigados

A Polícia Civil concluiu nesta quarta-feira (1º) o segundo e último inquérito que investigava a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP). No relatório final, a delegada Andréa Dantas Levy pediu à Justiça que a prisão temporária de Evelyne dos Santos Gonçalves seja convertida em prisão preventiva, ao mesmo tempo em que solicitou a revogação das prisões temporárias de Gabriel Barros Martins e João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva.

Agora, caberá à juíza responsável pelo caso decidir se Evelyne continuará presa e se os outros dois investigados poderão responder em liberdade.

O segundo inquérito teve como foco a apuração de uma suposta fraude processual relacionada ao desaparecimento da câmera GoPro utilizada por Maria Eduarda no momento do salto. A hipótese investigada era de que o equipamento teria sido retirado do corpo da jovem para esconder provas que poderiam ajudar a esclarecer as circunstâncias da tragédia.

Após a conclusão das investigações, a delegada entendeu que não foram encontrados elementos suficientes para responsabilizar Gabriel Barros Martins e João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva pelo desaparecimento da câmera. Conforme o relatório, testemunhas passaram a descrever a pessoa que retirou o equipamento como um homem de cabelos escuros, característica incompatível com João Antônio, conhecido como “Alemão”, que possui cabelos loiros.

Apesar disso, a Polícia Civil considerou que ainda existem indícios envolvendo a atuação de Evelyne dos Santos Gonçalves, razão pela qual foi solicitado que sua prisão temporária seja convertida em preventiva.

A GoPro nunca foi encontrada e continua sendo considerada uma peça importante para esclarecer o que ocorreu nos instantes que antecederam o salto.

O pedido de revogação da prisão de João Antônio foi apresentado poucos dias depois da divulgação de uma carta escrita por ele enquanto estava preso temporariamente. No documento, ele negou qualquer participação na retirada ou ocultação da câmera e afirmou que permaneceu no local tentando socorrer Maria Eduarda logo após a queda. Também declarou acreditar que as investigações comprovariam sua inocência.

Com o encerramento do segundo inquérito, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins deixaram de ser indiciados pelo crime de fraude processual.

Embora não tenha atribuído responsabilidade criminal aos dois investigados pelo desaparecimento da GoPro, a Polícia Civil voltou a apontar uma série de falhas na organização da atividade de rope jump. O relatório cita ausência de protocolos de segurança, desorganização operacional, falta de treinamento adequado da equipe e inexistência de uma estrutura formal para a realização dos saltos.

As investigações também concluíram que Maria Eduarda foi lançada da ponte sem estar conectada à corda de segurança durante a modalidade conhecida como “aviãozinho”. Depoimentos reunidos pela Polícia indicam que algumas pessoas chegaram a alertar que a corda não estava presa, mas o salto ocorreu mesmo assim.

Outro ponto destacado no relatório é a existência de relatos sobre um incidente anterior envolvendo o mesmo grupo. Meses antes da morte da jovem, um participante teria ficado ferido após uma falha operacional durante um salto.

O primeiro inquérito, concluído no fim de junho, resultou no indiciamento dos instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves por homicídio doloso qualificado. Para a Polícia Civil, eles assumiram o risco de provocar a morte da jovem ao permitirem a realização do salto sem as condições mínimas de segurança. Os três tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventivas pela Justiça.

Ainda na primeira fase das investigações, a Polícia concluiu que o grupo atuava de forma irregular, sem autorização para explorar comercialmente a atividade na Ponte do Esqueleto e sem seguir protocolos técnicos reconhecidos para a prática do esporte.

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