Entenda o que o STF vai decidir nesta terça-feira no caso que envolve Moraes e Vorcaro

Plenário analisa relatório da Polícia Federal e pode decidir se haverá investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes; sessão começa às 10h


Por Redação Educadora Publicado 15/09/2026
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O Supremo Tribunal Federal (STF) terá nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária que deve concentrar as atenções da política brasileira.

A partir das 10h, os ministros vão analisar a Petição 16.662, processo que reúne informações da Polícia Federal sobre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, nas quais Alexandre de Moraes aparece como interlocutor.

A sessão ocorre em meio a uma crise interna no Supremo e envolve uma questão inédita: o plenário vai analisar se os elementos reunidos no procedimento justificam o prosseguimento de uma investigação envolvendo um dos próprios ministros da Corte.

É importante ressaltar que o STF não vai decidir nesta terça-feira se Moraes é culpado ou inocente de qualquer crime. A discussão está relacionada ao encaminhamento do caso e à possibilidade de investigação. Uma eventual apuração, se autorizada, seria uma etapa posterior.

O que deu origem ao caso?

As informações que chegaram ao STF foram obtidas durante as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e corrupção relacionadas ao Banco Master e a empresas ligadas a Vorcaro.

A Polícia Federal teve acesso ao celular do ex-banqueiro e identificou mensagens enviadas a um contato salvo no aparelho em nome de Alexandre de Moraes. Segundo o relatório policial, foram recuperadas 52 mensagens atribuídas a Vorcaro e enviadas ao contato. Parte das conversas não pôde ser recuperada.

As mensagens abrangem o período entre 2023 e novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso preventivamente. Em uma delas, o banqueiro aparenta buscar informações sobre uma operação da Polícia Federal que poderia resultar em sua prisão. Em outra, aparece referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Moraes nega ter mantido contato com Vorcaro.

Por que André Mendonça entrou no centro da crise?

O material envolvendo Moraes estava dentro das investigações do caso Banco Master, que tinham André Mendonça como relator no STF.

Depois que a Polícia Federal identificou as mensagens, Mendonça determinou a produção de um relatório sobre o conteúdo e posteriormente retirou o sigilo de parte do material. A divulgação provocou uma forte reação dentro da Corte e abriu uma disputa entre os ministros sobre os limites da atuação de um relator quando as investigações alcançam outro integrante do Supremo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou a forma como a apuração foi conduzida. Em manifestação enviada ao STF, o procurador-geral Paulo Gonet defendeu a nulidade da investigação, argumentando que Mendonça não poderia ter determinado o aprofundamento da apuração sobre Moraes sem autorização prévia do plenário.

Moraes, por sua vez, acusou Mendonça de conduzir o caso de forma seletiva e pediu a divulgação integral dos documentos relacionados à Operação Compliance Zero. O ministro também apresentou questionamentos sobre a atuação de Mendonça, mas esse pedido será analisado em outra sessão, marcada para 23 de setembro.

O que será discutido nesta terça?

O processo que está na pauta é a Petição 16.662. O plenário deverá analisar o material produzido a partir das informações encontradas pela PF e definir o encaminhamento do caso envolvendo Moraes.

A sessão foi marcada pelo presidente do STF, Edson Fachin, que assumiu a condução do procedimento depois que Mendonça encaminhou os autos à Presidência da Corte.

Inicialmente, houve pressão para que os casos envolvendo Moraes e Mendonça fossem julgados conjuntamente. Fachin, porém, decidiu manter a análise separada. O processo envolvendo possíveis irregularidades atribuídas a Mendonça ficou para 23 de setembro.

Como será a sessão?

O julgamento começa às 10h. Primeiro, serão cumpridos os procedimentos regimentais. Depois, André Mendonça fará a leitura do relatório do processo.

Na sequência, a Procuradoria-Geral da República poderá se manifestar. Só então será iniciada a votação dos ministros.

O presidente do STF, Edson Fachin, será o relator do caso e deverá apresentar seu voto. Depois, os demais ministros votarão.

A participação de Alexandre de Moraes na sessão depende das regras de impedimento e suspeição aplicáveis ao caso. Dias Toffoli também já declarou impedimento em julgamentos relacionados ao caso Master.

A sessão será transmitida ao vivo pela TV Justiça e pela internet.

Pode haver adiamento?

Sim. Um dos ministros pode pedir vista, ou seja, mais tempo para analisar o processo. Nesse caso, o julgamento pode ser interrompido e retomado posteriormente.

Também existe a possibilidade de os ministros discutirem questões preliminares antes de entrar no mérito do encaminhamento da investigação.

O decano do STF, Gilmar Mendes, chegou a defender o adiamento da sessão e o julgamento conjunto dos casos envolvendo Moraes e Mendonça, alegando dúvidas sobre a própria configuração processual da Petição 16.662. Fachin, contudo, manteve a sessão desta terça-feira.

O que pode acontecer depois?

Há, basicamente, três cenários. O STF pode entender que não há elementos ou condições processuais para avançar com uma investigação; pode determinar o prosseguimento da apuração; ou pode tomar uma decisão intermediária, como determinar novas providências antes de decidir definitivamente sobre o caso.

Por isso, o resultado da sessão não significa, por si só, condenação, afastamento ou perda do cargo de Alexandre de Moraes.

O caso, porém, tem peso político e institucional porque coloca o próprio Supremo diante da necessidade de decidir sobre informações que envolvem um de seus integrantes e ocorre em meio a uma disputa pública entre ministros da Corte.

Novos documentos antes do julgamento

Na véspera da sessão, outro desdobramento aumentou a importância do caso. André Mendonça retirou o sigilo de um processo que reúne informações sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

A medida ocorreu depois de Alexandre de Moraes pedir a divulgação do conteúdo e de a PGR se manifestar favoravelmente. Segundo a Procuradoria, o acesso aos documentos seria necessário para que os ministros pudessem compreender o conjunto dos elementos relacionados ao julgamento desta terça-feira.

O levantamento de sigilos, as mensagens recuperadas do celular de Vorcaro e a disputa entre os ministros transformaram a sessão desta terça-feira em um dos episódios mais delicados da história recente do Supremo.

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