Dia Mundial do Pão: São Paulo tem mais de 17 mil padarias e tradição gastronômica

Celebrada em 16 de outubro, data destaca um setor que movimenta R$ 178,1 bilhões no Brasil; capital paulista reúne estabelecimentos centenários, padarias 24 horas e casas de fermentação natural


Por Redação Educadora Publicado 16/10/2026
Dia Mundial do Pão São Paulo tem mais de 17 mil padarias e tradição gastronômica
Levantamentos divulgados em 2026 indicam que a capital consumiu cerca de 20 milhões de pães franceses por dia em 2025 - Foto: Divulgação

O Dia Mundial do Pão, celebrado nesta sexta-feira (16), chama a atenção para um alimento presente na rotina dos brasileiros e para a importância econômica das padarias. No estado de São Paulo, são mais de 17 mil estabelecimentos, que vão de negócios tradicionais a casas especializadas em pães artesanais. Na capital paulista, levantamentos divulgados em 2026 apontam que o consumo chegou a aproximadamente 20 milhões de pães franceses por dia em 2025.

A data foi instituída pela União Internacional de Padeiros e Confeiteiros (UIBC) e coincide com o Dia Mundial da Alimentação. Além da produção e comercialização de alimentos, o setor também integra as atividades de turismo gastronômico, especialmente em cidades onde as padarias fazem parte da história e dos hábitos da população.

Conhecidas popularmente como “padocas” em São Paulo, elas funcionam como espaços de alimentação e convivência, recebendo consumidores ao longo do dia para o café da manhã, almoço, lanches e outras refeições.

Brasil tem mais de 70 mil padarias independentes

Um estudo da Euromonitor International, encomendado pela Feira Internacional de Panificação, Confeitaria e Food Business (FIPAN), aponta que o Brasil possui 70.235 padarias independentes.

O número supera o registrado nos Estados Unidos, com 30.379 estabelecimentos, e no Reino Unido, com 13.745.

Segundo o levantamento, o setor de panificação brasileiro movimenta R$ 178,1 bilhões, valor equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

As padarias registram aproximadamente 2,4 bilhões de compras por ano. Em média, cada brasileiro adulto frequenta esses estabelecimentos 14 vezes anualmente.

A região Sudeste concentra 46% das padarias do país.

Em São Paulo, o Sampapão, formado pelo Sindicato dos Industriais de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan) e pela AIPAN, representa cerca de 6 mil indústrias de panificação e 12 mil empresários distribuídos por 31 municípios paulistas.

Padarias também integram o turismo gastronômico

Além da importância para o comércio de alimentos, as padarias passaram a integrar roteiros turísticos voltados à gastronomia e à história das cidades.

A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) desenvolve o Guia Turístico das Padarias, que reúne estabelecimentos e apresenta diferentes características da panificação paulista.

Para a secretária estadual de Turismo e Viagens, Ana Biselli, esses espaços também ajudam a apresentar a cultura local aos visitantes.

“A gastronomia é uma importante porta de entrada para conhecer São Paulo, sua cultura e suas tradições. As padarias fazem parte dessa identidade e têm potencial para atrair visitantes, movimentar a economia local e ampliar as experiências turísticas no estado. Por isso, a Setur-SP trabalha para dar visibilidade à diversidade da panificação paulista, inclusive por meio do Guia Turístico das Padarias, que integra a gastronomia ao desenvolvimento do turismo e à promoção dos municípios paulistas”, afirma.

O presidente do Sampapão, Rui Gonçalves, também destaca a relação das padarias com os hábitos da população.

“O pão está na mesa do paulista todos os dias, e a padaria é um dos endereços mais democráticos da cidade, onde o trabalhador, o estudante, a família e o turista se encontram. A padaria faz parte da identidade de São Paulo, e o Turismo Gastronômico que a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de SP (Setur-SP) vem estimulando com o Guia Turístico das Padarias ajuda a contar essa história para quem nos visita”, afirma.

Conheça cinco padarias de São Paulo

A capital paulista reúne estabelecimentos com diferentes propostas, desde padarias que funcionam há mais de um século até espaços dedicados à produção artesanal e ao atendimento durante a madrugada.

Santa Tereza funciona desde 1872

Localizada na Praça João Mendes, no Centro de São Paulo, próxima à Praça da Sé, a Santa Tereza Pães e Doces é apontada como a padaria mais antiga da capital.

O estabelecimento iniciou suas atividades em 1872, na antiga Rua Santa Tereza, que deu origem ao nome do negócio.

Entre os produtos conhecidos da casa está a coxa-creme, além de cafés e receitas tradicionais que fazem parte do cardápio.

Bella Paulista atende 24 horas

Com mais de 20 anos de funcionamento, a Bella Paulista oferece atendimento ininterrupto, reunindo padaria, restaurante, laticínios e adega.

O estabelecimento recebe clientes em diferentes horários, desde o café da manhã até refeições durante a madrugada.

Em 2025, recebeu o reconhecimento de “Padaria que é a cara de São Paulo”, na categoria Honra ao Mérito do Prêmio Paladar.

Mediterrain trabalha com fermentação natural

No bairro Campo Belo, a Padaria Artesanal Mediterrain tem como característica a produção de pães de fermentação natural, utilizando farinha francesa.

O cardápio inclui bagels, croissants, focaccias e pão de azeitona, além de cafés orgânicos, sucos, bolos e sanduíches, como o Canoa Medi.

A casa oferece opções para café da manhã e lanches ao longo do dia.

Casa Nápoles oferece refeições na Vila Formosa

Inaugurada em 2018, a Casa Nápoles fica na Vila Formosa, zona leste da capital, e combina a venda de produtos de padaria com refeições.

Além de pães, salgados, doces e bolos, oferece bufê de café da manhã, almoço, sopas, caldos e pizzas no período noturno.

O estabelecimento também prepara lanches de metro e baguetes recheadas sob encomenda.

A estrutura conta com acesso para cadeirantes e serviço de mesa. O funcionamento é diário.

Cepam vende cerca de 12 mil pães franceses por dia

Localizada na Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, a Cepam possui uma estrutura de 2,5 mil metros quadrados, capacidade para 510 pessoas e mais de cinco mil itens disponíveis nas vitrines.

A produção e a comercialização chegam a aproximadamente 12 mil pães franceses diariamente.

O cardápio também inclui salgados, baguetes de metro, minilanches, tábuas de frios, patês, petiscos, bolos, doces tradicionais e gelados, petit fours e cupcakes.

A padaria funciona todos os dias e dispõe de quatro estacionamentos próprios.

História do pão no Brasil começou no período colonial

A presença do pão no Brasil está relacionada à chegada dos portugueses ao território.

Segundo o historiador Augusto Almeida, em entrevista à Agência Brasil, a carta de Pero Vaz de Caminha registra o contato dos povos indígenas com o alimento trazido pelos europeus.

Posteriormente, o cultivo do trigo começou a ganhar espaço, com sementes atribuídas a Martim Afonso de Souza, donatário da Capitania de São Vicente.

Ao longo dos séculos, o pão passou a fazer parte dos hábitos alimentares brasileiros, com diferentes receitas, ingredientes e formas de preparo.

Atualmente, além do pão francês, as padarias oferecem produtos de fermentação natural, receitas artesanais e opções de refeições, refletindo as mudanças no consumo e na atividade de panificação.

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