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Mais de 100 cursos de medicina têm avaliação considerada ruim em exame nacional

Primeira edição do Enamed aponta desempenho insuficiente em quase um terço das graduações analisadas e acende alerta sobre a qualidade da formação médica no país


Por Redação Educadora Publicado 19/01/2026
Mais de 100 cursos de medicina têm avaliação considerada ruim em exame nacional
Foto: Reprodução/Freepik

Um total de 107 cursos de medicina em funcionamento no Brasil recebeu avaliação considerada insatisfatória na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada em 2025. O número representa quase um terço das 351 graduações analisadas em todo o país e coloca em evidência os desafios para garantir a qualidade do ensino médico, especialmente em instituições municipais e privadas com fins lucrativos.

Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC), durante apresentação à imprensa com a participação do Ministério da Saúde. De acordo com os dados, 243 cursos atingiram desempenho suficiente, com ao menos 60% dos estudantes concluintes demonstrando proficiência. Um curso não foi avaliado por ter número insuficiente de formandos inscritos.

Ao todo, 89.024 pessoas se inscreveram no Enamed, entre estudantes e profissionais de medicina. Desses, 39.258 eram concluintes da graduação. A maior parte dos participantes avaliados — mais de 28 mil — era de instituições privadas, enquanto pouco mais de 9 mil estudantes vinham de universidades públicas federais, estaduais e municipais.

O desempenho médio variou conforme o tipo de instituição. Estudantes de universidades federais alcançaram média de 83,1% de proficiência, enquanto os de instituições estaduais registraram média ainda maior, de 86,6%. Já os alunos de instituições municipais tiveram o pior resultado, com média de 49,7%, índice considerado insuficiente pelo exame. Entre as instituições privadas com fins lucrativos, a média ficou em 57,2%.

Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, os dados reforçam a necessidade de atenção especial a determinados segmentos do ensino superior. Ele destacou que cursos de universidades públicas e instituições sem fins lucrativos apresentaram desempenho positivo, enquanto os resultados mais preocupantes se concentram nas redes municipal e privada com fins lucrativos.

Com base no levantamento, o MEC anunciou a adoção de medidas cautelares para cursos sob regulação federal, que incluem universidades federais e instituições privadas, cujo desempenho médio ficou abaixo de 60%. Dos 304 cursos nessa condição, 99 foram classificados nas faixas consideradas insatisfatórias.

Essas graduações serão submetidas a um Processo Administrativo de Supervisão, que pode resultar em sanções progressivas, como a proibição de abertura de novas vagas, redução da oferta existente, suspensão do acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e até o impedimento de novos ingressos. As instituições terão prazo de 30 dias para apresentar defesa após a publicação dos resultados no Diário Oficial da União. As medidas permanecerão válidas até a próxima edição do exame, prevista para outubro de 2026.

Criado em abril de 2025, o Enamed é uma adaptação do Enade voltada exclusivamente para estudantes concluintes de medicina. A avaliação é obrigatória e, além de medir a qualidade da formação médica no país, pode ser utilizada como critério de acesso aos programas de residência médica unificados pelo MEC, por meio do Exame Nacional de Residência (Enare), organizado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

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