Caso Théo: secretário diz que necrópsia indica bactéria no pulmão e fígado comprometido por sepse
Alexandre Ferrai explicou que a Prefeitura apura possível omissão do Hospital Hapvida e que o caso foi levado ao Ministério Público após recusa inicial do hospital em fornecer documentos
O secretário adjunto de Saúde de Limeira (SP), Alexandre Ferrari, detalhou nesta segunda-feira (20) o andamento da investigação sobre a morte de Théo Benício Vantini de Azevedo, de 2 anos, ocorrida no dia 30 de setembro. A família do menino acusa o Hospital Hapvida de negligência, alegando que a criança recebeu alta médica pouco antes de falecer.
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Durante entrevista ao programa Meio Dia, Ferrari afirmou que a Prefeitura de Limeira abriu uma investigação epidemiológica e também uma apuração sobre possível violência interpessoal, termo utilizado para designar negligência ou omissão contra pessoas em situação de vulnerabilidade, como crianças e idosos.
“Nenhuma morte pode ser não investigada. Toda morte é de interesse epidemiológico”, destacou o secretário.
De acordo com Ferrari, o caso começou a ser apurado após o Pronto Atendimento (PA) do Aeroporto comunicar que havia sido realizado um teste rápido (swab nasal) para Influenza A durante o atendimento da criança. A partir disso, a Vigilância Epidemiológica iniciou a investigação.
O secretário relatou que, em um primeiro momento, o hospital negou acesso ao prontuário médico e outras informações, o que levou a Vigilância Sanitária a lavrar um auto de infração por recusa de fornecimento de documentos, uma obrigação de qualquer unidade de saúde, pública ou privada, segundo a legislação.
“O hospital está no prazo de defesa de 10 dias. Pela gravidade da situação, o Executivo também decidiu encaminhar uma representação ao Ministério Público Estadual (MP-SP)”, explicou Ferrari.
Nesta segunda-feira (20), fiscais da Prefeitura retornaram ao hospital e conseguiram acesso parcial aos prontuários e demais documentos. No entanto, segundo o secretário, os registros estavam “pouco elaborados e rasos”, e o relatório de alta da criança, documento obrigatório, não foi apresentado.
Ferrari também informou que o corpo de Théo passou por necrópsia no Serviço de Verificação de Óbito (SVO) do município, vinculado à Vigilância Epidemiológica. O exame apontou negativo para Influenza, embora o teste rápido inicial indicasse a presença do vírus. Novas análises foram realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz, incluindo exames para H1N1, H3N2, Covid-19, dengue e febre maculosa, mas nenhum resultado confirmatório foi encontrado.
O laudo médico indicou sepse (infecção generalizada) e pneumonia bacteriana não especificada como causas da morte.
“A necrópsia mostrou comprometimento grande do pulmão, edema, excesso de secreção e também lesão no fígado. O quadro indicava uma infecção que tomou o corpo todo”, explicou Ferrari.
Com os documentos em mãos, a Vigilância Epidemiológica deve concluir a análise nos próximos dias para determinar se houve falhas no atendimento prestado pelo hospital.
“Há indícios de negligência, que agora serão avaliados. Se for necessário, pediremos mais informações à Hapvida e encaminharemos os resultados ao Ministério Público, à polícia, ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”, afirmou o secretário.
A Prefeitura de Limeira reafirmou que seguirá acompanhando o caso e cobrando o fornecimento integral das informações solicitadas ao hospital.
NOTA DA HAPVIDA
O Hospital Hapvida emitiu uma nota referente ao caso. Confira:
O hospital lamenta profundamente o falecimento do paciente Théo Benício Vantini de Azevedo, manifesta sua solidariedade à família e expressa seus mais sinceros sentimentos neste momento de dor. Reforça seu compromisso permanente com a responsabilidade, a ética, a qualidade da assistência prestada e informa que o prontuário médico foi entregue à família. Afirma também que está à disposição das autoridades competentes prestando todas as informações solicitadas.
O paciente recebeu atendimento conforme o quadro clínico apresentado nas passagens pelo pronto-socorro, sendo avaliado por equipe médica e assistencial. Foram realizados avaliação clínica completa, exames laboratoriais, verificação de sinais vitais e administração de medicação, seguindo os protocolos clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para a faixa etária. Em ambas as ocasiões, os parâmetros clínicos encontravam-se dentro da normalidade para uma alta segura.
A conduta adotada seguiu critérios de segurança, cuidado e fundamentação técnica.
O hospital permanece à disposição para esclarecimentos e reafirma seu compromisso com a excelência, o acolhimento e o respeito aos seus pacientes e familiares.
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