“Diziam para mim que futebol não era coisa de veado”, relata Isabelly em debate com Guilherme Guido
Parlamentar rebateu projeto do vereador que propõe que apenas o sexo biológico determine a participação de atletas em competições esportivas de Limeira
Durante participação no programa Meio Dia, a vereadora Isabelly Carvalho (PT) defendeu a inclusão de pessoas trans no esporte e criticou o Projeto de Lei nº 275/2025, de autoria do vereador Guilherme Guido (PL), que propõe que apenas o sexo biológico determine a participação de atletas em competições esportivas de Limeira (SP).
Isabelly, que é vereadora trans, afirmou que seu corpo “ainda é biologicamente de mulher”, destacando que o debate deve ser feito com responsabilidade para não passar “informações equivocadas à população”. Ela enfatizou que o tema central não é sobre vantagens físicas, mas sobre garantir a inclusão de pessoas trans nos espaços esportivos.
“O meu corpo ainda é de mulher biologicamente falando. Eu só não sou cisgênera. Do resto eu sou mulher, tenho nome de mulher, tenho corpo de mulher, tenho tudo de mulher, inclusive elementos biológicos. Então cuidado com o discurso ou com a fala que a gente executa aqui porque a gente passa uma informação equivocada à população”, afirmou.
Durante o debate, Isabelly respondeu diretamente a Guido, que havia defendido a inclusão de pessoas trans “em outros espaços, mas não no esporte”. Para a vereadora, o esporte também deve ser um ambiente de acolhimento e igualdade.
“Quando o vereador diz que defende a inclusão de pessoas trans, mas não no esporte, eu sou contrária a essa fala. Eu digo no esporte também”, disse.
Em tom pessoal, Isabelly relatou experiências de exclusão ainda na infância, quando tentava participar de atividades esportivas escolares. Segundo ela, foi impedida de jogar futebol com os meninos e, ao tentar se integrar às meninas no vôlei, também enfrentou dificuldades.
“Desde criança, desde a escola, sempre apontaram pra mim e disseram que o esporte não era coisa de ‘veado’. Que eu não deveria jogar futebol com os meninos e sim vôlei com as meninas. Eu tentei jogar vôlei, mas elas já eram muito mais preparadas e acabei me retirando para não ser mais humilhada”, contou.
A parlamentar concluiu afirmando que a exclusão de corpos trans acontece em diferentes espaços, inclusive no esporte, e defendeu que homens e mulheres são plurais e diversos, independentemente de suas identidades de gênero.
“A ótica de exclusão de corpos trans está em todas as partes, inclusive no mundo do esporte. Eu sou contra a exclusão de mulheres trans no esporte feminino e de homens trans no masculino, porque homens e mulheres são plurais, são diversos”, completou.
O Projeto de Lei nº 275/2025, que gerou o debate, ainda aguarda análise da Câmara Municipal de Limeira. Se aprovado, o texto determina que atletas participem de competições apenas na categoria correspondente ao sexo de nascimento, com sanções previstas para quem descumprir a regra.
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