Caso Mônica: júri condena gerente de posto a 34 anos por feminicídio em Limeira
Corpo da vítima foi encontrado na LIM-391; réu confessou o crime e já havia sido condenado por manter arsenal em casa


O Tribunal do Júri de Americana (SP) condenou um gerente de posto de combustíveis Hélio Leonardo Neto a 34 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo feminicídio e pela ocultação do cadáver de Mônica Matias de Paula, de 33 anos, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal. O julgamento foi realizado na quinta-feira (26).
Além da pena de reclusão, a sentença determina o pagamento de 20 dias-multa, fixados em três salários mínimos cada, e mais 100 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesps), valor que soma cerca de R$ 101,1 mil.
A defesa informou que não se manifestaria sobre a decisão.
O corpo de Mônica foi localizado no dia 15 de março de 2024 por um trabalhador rural, na estrada LIM-391, nas proximidades da Rodovia Anhanguera (SP-330), área rural de Limeira. Dois dias depois, em 17 de março, Hélio, à época com 47 anos, foi preso no estabelecimento onde trabalhava, na Avenida Abdo Najar, em Americana.
Em depoimento prestado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Americana à época, ele afirmou que já planejava matar a mulher antes do encontro que terminou no crime. Segundo o interrogatório, o acusado contou detalhes da execução e declarou que pretendia “dar fim ao pesadelo que vivia”.
De acordo com o relato, ele contratou um detetive particular para acompanhar a vítima e evitar que sua esposa desconfiasse da relação. Ainda conforme o depoimento, a mulher teria feito ameaças de expor os encontros amorosos.
No dia do crime, ocorrido nas proximidades de um motel em Limeira, Mônica teria demonstrado desconfiança e questionado o acusado. Durante o sufocamento, ela afirmou que sabia que ele poderia agir daquela forma por estar com raiva.
Após o assassinato, o corpo foi deixado nas imediações da empresa Suzano. O celular da vítima foi arremessado pela janela do veículo na Rodovia Anhanguera.
O réu declarou que cometeu o homicídio para encerrar as supostas ameaças de exposição do relacionamento.
O gerente já estava preso temporariamente desde 17 de março pelo homicídio e também teve a prisão preventiva decretada após a apreensão de um arsenal em sua residência, na região da Praia dos Namorados, em Americana.


Na casa onde vivia, no bairro Chácara Mantovani, foram encontradas cerca de 80 armas de fogo — algumas sem registro — e mais de 16 mil munições. Parte do material estava registrada em seu nome, enquanto outras armas pertenciam a colecionador e não tinham regularização.
Ele já havia sido condenado anteriormente a três anos e nove meses de reclusão, em regime inicial aberto, por posse e porte ilegal de armas.
As investigações foram conduzidas pela DIG de Americana, que cumpriu mandados de busca em três endereços até localizar as armas e efetuar a prisão do acusado no posto de combustíveis onde trabalhava.
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