Mãe de criança autista agredida pelo pai fala com a Educadora e pede proteção à Justiça
Ingrid Carriel contou à reportagem que o filho de 3 anos voltou com marcas roxas após fim de semana de visita com o pai; caso será incluído em novo pedido de suspensão das visitas
A Educadora conversou com Ingrid Carriel, mãe da criança de 3 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que foi agredida pelo pai, de 28 anos, no domingo (12), em Iracemápolis (SP). Em julho, o mesmo rapaz já havia sido denunciado por chamar o filho de “bichado” e por não aceitar o menino nessas condições.
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Em entrevista ao repórter Carlos Gomide, a mãe, de 29 anos, disse que o pai deveria retirar a criança no sábado de manhã, acompanhado da avó paterna, conforme decisão judicial. “No domingo ele retornou transtornado, muito agressivo, com uma crise alta. O pai chorava muito, dizendo que tinha agredido a criança. Tentei acalmá-lo, achando que fosse algo passageiro, mas quando consegui tirar a blusa do meu filho, vi as marcas”, contou Ingrid.

Ao perceber a gravidade, ela levou o menino para atendimento na UPA do Abílio Pedro. “Ele vomitou de nervoso e estava com marcas roxas, parecidas com dedos. Parecia que tinha levado um tapa. Também havia escoriações no peito, como se tivesse caído”, disse. A criança, que ainda é não verbal, teria relatado apenas que o pai “bateu” e “fez dodói nas costas”.
Ingrid contou que o menino passou a rejeitar qualquer objeto vindo da casa paterna. “Ele não quer ver o sapato nem a roupa que veio de lá. Joga tudo longe. Preferimos até descartar”, relatou.
Após o episódio, a mãe recebeu mensagens do pai admitindo a agressão. “Ele disse que estava transtornado e não soube lidar com a crise do meu filho. Confessou pessoalmente e por mensagem”, afirmou.
A advogada Fernanda Bertagna, que representa Ingrid, explicou que já havia um processo pedindo a suspensão das visitas desde julho, mas o juiz manteve o convívio com supervisão indicada pelo próprio pai. “Mesmo com o histórico de agressões verbais, o juiz decidiu pela continuidade das visitas. Agora, com esse novo fato, vamos juntar o boletim de ocorrência, o corpo de delito e o atendimento médico ao processo, pedindo novamente a suspensão”, disse a advogada.
Segundo Fernanda, a visita em que ocorreu a agressão foi a primeira após três meses de suspensão informal feita pela própria mãe, que aguardava nova decisão judicial. “Eu já tinha orientado para que ela não deixasse o menino ir, mas a decisão do juiz manteve o regime anterior. A supervisão seria feita pela avó paterna, que estava presente e não prestou socorro”, completou.
Abalada, Ingrid afirmou que agora só busca segurança e tranquilidade para o filho. “Não quero nada além da proteção dele. Já passei por muita coisa com essa família e não quero mais que ele sofra. Prefiro criá-lo com amor e cuidado, mesmo sem a presença do pai, do que submetê-lo a novas situações que prejudiquem o desenvolvimento dele”, disse.
O caso segue sob análise da Justiça, e a defesa da mãe pretende protocolar um novo pedido de suspensão imediata das visitas nos próximos dias.
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