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Operação mira guerra entre facções que impulsiona onda de violência no interior de SP

Investigação aponta que rivalidade entre PCC e Comando Vermelho gerou execuções, chacina e corpos carbonizados em cidades da região


Por Redação Educadora Publicado 29/01/2026
Operação mira guerra entre facções que impulsiona onda de violência no interior de SP
Imagem: Tadeu Nogueira

Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta que a disputa por território entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) está na origem de uma série de crimes violentos registrados no interior de São Paulo desde 2022. O confronto entre os grupos teria resultado em execuções, mortes de lideranças, uma chacina e até casos de corpos carbonizados.

As conclusões vieram à tona com a deflagração da Operação Keravnos, realizada nesta quinta-feira (29), pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), com apoio da Polícia Militar (PM). A ação tem como foco desarticular núcleos das duas facções envolvidos nos conflitos concentrados nas regiões de Piracicaba (SP), Araras (SP), Rio Claro (SP) e Limeira (SP).

De acordo com o Gaeco, o cenário de violência se intensificou após tentativas do Comando Vermelho de ocupar pontos de tráfico de drogas que antes eram controlados pelo PCC. Essa movimentação teria provocado uma escalada de confrontos armados, instaurando o que os investigadores classificam como um ambiente de “guerra urbana” nessas cidades.

Como parte da operação, estão sendo cumpridos diversos mandados de busca e apreensão em municípios como Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste (SP), Americana (SP), Leme (SP), Engenheiro Coelho (SP) e Hortolândia (SP). O objetivo é localizar armas, munições, entorpecentes e aparelhos eletrônicos que possam fortalecer as provas sobre a estrutura, a hierarquia e as estratégias das organizações criminosas.

Entre os alvos da Keravnos estão suspeitos apontados como líderes regionais das facções, conhecidos no meio criminoso como “jet”, além de integrantes considerados de alta periculosidade que estariam foragidos. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo de dados telemáticos dos dispositivos apreendidos, medida que busca interromper o envio de ordens de execução, chamadas de “salves”, expedidas pelas cúpulas das facções.

A investigação destaca ainda a situação de Rio Claro, que passou a ocupar posição central na rota do conflito. Reportagem do portal g1 publicada em novembro de 2025 já havia indicado que a localização estratégica da cidade, aliada à ausência de domínio consolidado de uma única facção, contribuiu para o aumento da violência. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que o município registrou 24 homicídios dolosos em 2025, sendo oito execuções, o que representou um crescimento de 26,3% em relação ao ano anterior e uma taxa de assassinatos quase três vezes superior à média estadual.

Segundo o Gaeco, a combinação de rodovias importantes para o escoamento do tráfico, disputas internas e a fragilidade no controle territorial ajudou a transformar a região em um dos principais palcos do confronto entre PCC e CV no interior paulista.

OPERAÇÃO KERAVNOS

Até o momento, três pessoas foram presas, sendo duas em Limeira e uma em Ipeúna.

Em Limeira, os policiais apreenderam cinco celulares, três notebooks, duas armas airsoft, uma pistola 9 mm, 31 munições, além de R$ 11,6 mil em dinheiro. As ações ocorreram no Jardim Terras de Santa Elisa e Estância Arco Iris.

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