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Dobra na orelha volta a chamar atenção após morte de Maderite e reacende alerta médico

Conhecido como sinal de Frank, dobra no lóbulo pode estar associada a doenças nas artérias do coração, segundo estudos clínicos


Por Redação Educadora Publicado 10/02/2026

Uma dobra diagonal que atravessa o lóbulo da orelha pode ir além de uma característica estética. Conhecida na medicina como sinal de Frank, essa marca tem sido associada ao risco de doenças cardíacas e voltou ao centro das discussões após a morte do empresário e influenciador digital Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante. Em entrevista ao programa Meio Dia nesta terça-feira (10), o cardiologista Agnaldo Piscopo falou sobre o assunto.

Maderite, que reunia mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais e ficou conhecido por vídeos publicados às sextas-feiras com um bordão repetido pelo público, apresentava a prega característica nas orelhas. O caso trouxe visibilidade ao tema e levantou questionamentos sobre a relação entre o sinal físico e problemas no coração.

O sinal de Frank é uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, geralmente em um ângulo aproximado de 45 graus, que pode surgir ao longo da vida. A característica foi descrita pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank, em artigo publicado na revista científica New England Journal of Medicine. Na ocasião, ele observou a presença da dobra em pacientes com doença coronariana.

Na análise inicial, Frank identificou 20 pacientes que apresentavam a prega no lóbulo e alterações nas artérias do coração, além de fatores de risco associados a problemas cardiovasculares. Desde então, diversos estudos passaram a investigar a possível ligação entre o sinal e a aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura e outras substâncias nas paredes das artérias.

Uma dessas pesquisas foi realizada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp). O estudo avaliou a relação entre alterações dermatológicas, como a prega diagonal no lóbulo da orelha e a prega pré-auricular, e a presença de doença arterial coronariana. A pesquisa acompanhou 110 homens submetidos à cineangiocoronariografia, exame que permite visualizar as artérias do coração, entre 2004 e 2005.

Os resultados indicaram que o sinal de Frank estava presente em 60% dos pacientes com doença coronariana, enquanto no grupo sem a doença o índice foi de 30%. Quando as duas pregas eram observadas simultaneamente, o valor preditivo positivo para doença coronariana chegou a 90%.

Os autores ressaltam que o mecanismo exato dessa associação ainda não é totalmente compreendido. Uma das hipóteses é que alterações microvasculares e a perda de elasticidade da pele estejam relacionadas ao processo de aterosclerose, reforçando a importância de avaliação clínica e investigação de fatores de risco cardiovasculares.

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