Venda de livro em livrarias despenca no Brasil em 2018, aponta Fipe
As editoras priorizaram a reimpressão em pequenas tiragens, e não o lançamento de novos títulos, novas apostas


A incerteza com relação ao presente e futuro das duas empresas foi o tema do ano. E os efeitos da crise das duas empresas foram sentidos, em maior ou menor escala, por todas as editoras brasileiras, que pagaram a produção de seus livros e não receberam pelo que foi vendido, que demitiram e passaram a publicar menos – apostando, claro, nos títulos com mais potencial de venda.
Os números da Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro, revelados na manhã desta segunda-feira, 29, comprovam o cenário desolador. Em 2018, o mercado editorial apresentou queda nominal de 0,9%, o que significa um decréscimo real de 4,5% (considerando a inflação do período). O levantamento, feito pela Fipe por encomenda da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional de Editores de Livros, divide o desempenho das editoras entre ‘mercado’ (venda em livrarias, distribuidores, escolas, igrejas, bancas, etc.) e ‘governo’ (programas de compras para estudantes e bibliotecas escolares).
A conjuntura tornou o ‘mercado’ o grande vilão de 2018, com queda real de 10,1%. E os dados que seguem dizem respeito a ele. Religião foi o subsetor com desempenho menos pior – único com crescimento nominal, embora no fim das contas isso signifique um decréscimo real de 2,6%. O setor de didáticos registrou queda real de 9,1%; o de obras gerais caiu 6,8% e o CTP (Científico, Técnico e Profissional), 20,3% – se analisado o período de 2014 a 2018, esse setor encolheu 44,9%.
As livrarias foram, por muito tempo, o principal canal de comercialização de livros no Brasil. Elas ainda têm uma participação muito relevante, embora em declínio – em 2018, foram responsáveis por 50,45% do faturamento das editoras (-20,84%) e por 46,25% dos exemplares comercializados (-20,62%)
Mas as livrarias físicas estão perdendo espaço para outros canais em franco crescimento. Em faturamento, destaque para distribuidores (27,29%), marketplaces (26%), livrarias exclusivamente virtuais (25,2%), igrejas (6,9%) e escolas (3,1%) Em número de exemplares comercializados, os canais que registraram maior crescimento, mesmo que alguns tenham uma pequena participação do mercado, foram bibliotecas privadas (72%), livrarias exclusivamente digitais (32,8%), marketplaces (31,2%), distribuidores (17,4%) e empresas (13,1%).
Diante das incertezas do que estava por vir, as editoras – de didáticos, religiosos, obras gerais e CTP – publicaram menos em 2018. O número de exemplares produzidos sofreu queda de 11%. Isso quer dizer que foram produzidos 43,3 milhões de exemplares a menos em 2018 do que em 2017.
As editoras priorizaram a reimpressão em pequenas tiragens, e não o lançamento de novos títulos, novas apostas. No ano passado, elas lançaram 14.639 novos títulos (-8,96%), que resultaram em 70.544.691 exemplares (-9,88%), e relançaram/reimprimiram 32.189 títulos (-1,86), num total de 297 369.952 exemplares (-11,31%).
Dos novos livros, 5.626 (-14,2%) foram traduzidos e 9.013 (-5,4%) foram escritos por brasileiros.
Nenhuma área temática se saiu bem em 2018, no que diz respeito ao número de exemplares produzidos. As quedas menos acentuadas foram nos livros religiosos (-3,88%), educação física e esportes (-3,89%) e didáticos (-9,32%). Considerando apenas os temas mais gerais, os piores desempenhos foram em literatura juvenil (-32,12%), artes (-30,42%), ciências humanas e sociais (-26,59%) literatura adulta (-18,11%), autoajuda (-15%), literatura infantil (-15,33%) e biografias (11,99%).
O preço médio do livro aumentou em todos os subsetores: didáticos (R$ 34,65; 5,59%), obras gerais (R$ 11,60; 7,07%), religiosos (R$ 9,49; 3,64%), CTP (R$ 46,53%; 3,89). Isso não significa que o comprador pagou esses valores, mas que as editoras ganharam, em média, essa quantia.
Compras governamentais
Os resultados só não foram piores por causa da venda para o governo (em todas as esferas). As compras são sazonais, e isso justifica as oscilações observadas ano a ano.
Houve um crescimento no faturamento de 17,81% em comparação com 2017, e o valor de R$ 1,43 bilhão, resultado de todas as vendas, foi o maior desde 2013 (R$ 1,47 bilhão).
Com relação ao número de exemplares vendidos também houve aumento de 12% – de 132 milhões em 2017 para 149 milhões em 2018
Em 2019, o governo federal comprou livros para os programas PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) e PNLD Idade Certa, num total de R$ 1,33 bilhão.
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