Caso Erick: Justiça manda a júri acusados de matar adolescente com 21 golpes em Limeira
Decisão aponta indícios suficientes de autoria e mantém qualificadoras; réus seguem presos aguardando julgamento


Os dois acusados pelo assassinato do adolescente Erick Delatore de Araújo, de 16 anos, irão a julgamento pelo Tribunal do Júri em Limeira (SP). A decisão foi tomada pelo juiz Fábio Augusto Paci Rocha, da 1ª Vara Criminal, que reconheceu a existência de provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.
Os réus, Samuel Silva de Carvalho Junior e Tiago Oliveira Ricardo (pai de santo), respondem por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A sentença de pronúncia foi assinada e disponibilizada na terça-feira (14).
O crime ocorreu entre a noite de 21 e a madrugada de 22 de janeiro de 2023, em uma área rural próxima à Fazenda Arizona, na região do Jardim Lagoa Nova. Segundo a denúncia, Erick foi morto com 21 golpes de objeto perfurocortante, em circunstâncias descritas como um ritual.
Na decisão, o magistrado ressalta que, nessa fase do processo, não é necessária a comprovação definitiva da autoria, mas sim a presença de elementos mínimos que justifiquem o envio do caso ao júri popular.
O processo reúne laudos periciais, exames necroscópicos, depoimentos e dados extraídos de aparelhos eletrônicos, além de relatórios policiais. Samuel chegou a confessar o crime durante a investigação e indicou o local onde o corpo foi encontrado, mas posteriormente apresentou outra versão em juízo, alegando coação.
Em relação ao segundo réu, Thiago, o pai de santo, a decisão menciona indícios considerados relevantes, como o fato de a vítima ter estado em sua residência na noite do crime e comportamentos posteriores que levantaram suspeitas. Entre eles, a antecipação de detalhes sobre a morte antes da localização do corpo e tentativas de direcionar as buscas para outro local.
A sentença também destaca dúvidas sobre o ponto exato onde o homicídio ocorreu, já que o local onde o corpo foi encontrado não apresentava vestígios compatíveis com a quantidade de golpes, questão que deverá ser analisada durante o julgamento.
As qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público foram mantidas, cabendo ao Conselho de Sentença decidir se o crime ocorreu nas condições descritas na denúncia. Os acusados permanecem presos e não poderão recorrer em liberdade.
O caso ganhou grande repercussão na cidade. De acordo com a investigação, Erick frequentava encontros conduzidos por Thiago e teria sido levado até uma área isolada sob o pretexto de participar de um ritual. A apuração indica que Erick pretendia se afastar do grupo, o que pode ter motivado o crime.
O corpo foi localizado em uma área de mata após buscas feitas por familiares, com base na localização do celular do jovem. Mensagens trocadas entre os investigados também foram analisadas e indicariam conflitos anteriores com a vítima.
Com a decisão, o processo entra na fase de preparação para o júri. Ainda não há data definida para o julgamento, quando os jurados irão analisar as provas e decidir pela condenação ou absolvição dos acusados.
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