Em carta, suspeito preso por morte em salto de rope jump diz que não retirou câmera da vítima
João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva afirma que equipamento pode esclarecer o caso e pede ajuda para localizá-lo
Preso nas investigações sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, jovem que caiu da Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), durante um salto de rope jump sem estar presa à corda de segurança, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva divulgou uma carta na qual nega ter retirado a câmera que estava com a vítima. O equipamento, que ainda não foi localizado, é apontado pela Polícia Civil como uma peça importante para esclarecer a dinâmica do acidente.
O documento foi divulgado pela defesa do investigado ao eLimeira. Na carta, João pede que imagens gravadas no dia do salto sejam analisadas e solicita a colaboração de pessoas que estavam no local para ajudar a encontrar a câmera.
Segundo ele, o equipamento poderá esclarecer o que aconteceu após a queda da jovem. No texto, João também afirma que trabalhava no evento apenas na parte inferior da ponte, onde era responsável por soltar a corda para que os participantes retornassem caminhando após os saltos.
Ainda de acordo com o relato, no momento do acidente ele atendia outro cliente quando ouviu o barulho da queda de Maria Eduarda. O suspeito diz que correu até a vítima, verificou que ela ainda apresentava batimentos cardíacos e respirava, e acionou, por rádio, um colega que seria bombeiro para prestar os primeiros socorros.
O nome de João aparece em um dos pedidos de prisão temporária apresentados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público à Justiça. No documento, ele é citado como suspeito de ter retirado a câmera que estava com Maria Eduarda após o acidente.
A Polícia Civil confirmou que a prisão temporária de João foi prorrogada por mais 30 dias.
Enquanto isso, o inquérito principal já resultou no indiciamento dos instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves por homicídio com dolo eventual. A decisão foi anunciada pela Polícia Civil na última segunda-feira (22).
Além desse procedimento, um segundo inquérito foi instaurado para apurar a conduta de João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, Evelyne dos Santos Gonçalves e Gabriel Barros Martins, presos no último fim de semana no decorrer das investigações sobre a morte da jovem.
CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA
Declaração à imprensa
Eu João Antonio Pivetta venho através dessa carta prestar a minha versão. Eu estava prestando um serviço (bico) para a empresa ‘Entre Cordas’ sem saber que a empresa era clandestina.
Eu fiquei apenas na parte de baixo da ponte e eu apenas soltava a corda para a pessoa subir a pé. No momento do ocorrido eu estava soltando outro cliente quando ouvi o barulho e corri até a Maria Eduarda.
Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração então eu chamei ajuda no rádio, ‘Pede para o [nome de colega] descer aqui para fazer massagem cardíaca pois ele é bombeiro’.
Depois da segunda vez que eu pedi o rádio o [nome de colega] desceu rápido no rapel e foi até a Maria Eduarda eu não vi o que ele fez pois a enfermeira estava descendo eu sinalizei o local.
Muita gente desceu até o local nesse momento, [nomes dos colegas]. Para a enfermeira fazer a massagem cardíaca, eu abri o mosquetão que ficava sobre o peito da Maria Eduarda na frente da enfermeira.
Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto.
Peço também a ajuda de quem estava na ponte no dia pois as gravações no dia podem ajudar a esclarecer os fatos. Eu sou um pai comum que prestava serviço para complementar a renda para pagar as contas.
Mais pessoas que estavam ajudando na ponte viram eu ajudando as viaturas e os resgates a chegarem no local, a desatolar a ambulância dos bombeiros. Peço a ajuda desses bombeiros para falar que eu fiquei no local ajudando as equipes de resgate.
Peço a ajuda do policial que me liberou para ir embora no dia.
Eu presto meus sentimentos à família da Maria Eduarda. Eu sou apenas um trabalhador comum, apenas um pai pedindo a ajuda de vocês.
Nomes que eu acredito ter levado a câmera para cima da ponte, [nome do colega], porque desceu muito rápido não sabia fazer massagem cardíaca e ficou sozinho com a Maria Eduarda. [Nome do colega] porque ele estava embaixo e [nome do colega] pediu para ele subir para a parte de cima da ponte por rádio.
Por favor ajudem a achar essa câmera.
Como as reportagens disseram que mochilas foram levadas até os carros por outros membros da entre cordas pode ser que a câmera esteja dentro de alguma mochila dentro de algum carro, porém peço a ajuda de vocês.
Sou apenas um ser humano comum que trabalha e tenta fazer uma renda a mais para pagar as contas e educar os filhos.”
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