Senador, filho de ex-presidente: conheça a história de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro: do Legislativo fluminense à disputa pela Presidência


Flávio Nantes Bolsonaro chegou à disputa pela Presidência da República em 2026 após mais de duas décadas de atuação parlamentar e em meio à tentativa de manter a força política construída por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, ele foi escolhido pelo Partido Liberal (PL) para representar o grupo político da família na eleição nacional.
Nascido em 30 de abril de 1981, em Resende, no estado do Rio de Janeiro, Flávio é o filho mais velho de Jair Bolsonaro. Formado em Direito, iniciou sua carreira política em 2003, quando foi eleito deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Permaneceu no cargo por quatro mandatos consecutivos, até 2018.
Durante sua passagem pela Assembleia, construiu sua atuação com destaque para temas ligados à segurança pública e à defesa de pautas conservadoras.
Em 2016, chegou a disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas não foi eleito. Dois anos depois, concorreu ao Senado e conquistou uma das vagas destinadas ao estado, iniciando o mandato em 2019.
A eleição para o Senado coincidiu com a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência da República. A partir daquele momento, Flávio passou a ocupar uma posição de maior projeção nacional, participando das articulações políticas do governo e defendendo bandeiras associadas ao bolsonarismo, como o endurecimento de medidas contra a criminalidade, a valorização das forças de segurança e posições conservadoras nos debates sobre costumes.
Sua trajetória, entretanto, também foi marcada por controvérsias. Quando era deputado estadual, tornou-se alvo de investigação sobre suspeitas de devolução de parte dos salários de assessores parlamentares, prática conhecida como “rachadinha”.
O caso envolveu movimentações financeiras de ex-assessores e questionamentos sobre transações patrimoniais. Flávio negou as acusações.
A investigação foi encerrada após decisões judiciais que anularam provas e impediram o prosseguimento do caso nos moldes em que havia sido conduzido.
O arquivamento não equivale a uma condenação, mas tampouco representa uma decisão judicial de mérito que tenha examinado e confirmado todas as suspeitas. O episódio continuou sendo citado no debate público sobre a trajetória do senador.
Em 2022, Flávio atuou na campanha pela reeleição do pai, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Após o resultado, permaneceu no Senado e seguiu como um dos principais representantes políticos da família. Com Jair Bolsonaro impedido de disputar a eleição de 2026, o senador assumiu o papel de candidato presidencial do grupo.
A candidatura pelo PL busca mobilizar o eleitorado conservador, defender a continuidade das pautas do bolsonarismo e apresentar propostas com ênfase na segurança pública. A campanha também procura ampliar o diálogo com setores que não se identificam integralmente com o estilo político do ex-presidente.
Entre os desafios de Flávio estão a construção de uma identidade própria para além do sobrenome, a ampliação de alianças e a apresentação de propostas para áreas como economia, saúde, educação e segurança.
Diferentemente de Lula, que já ocupou a Presidência por três mandatos, Flávio não exerceu cargos no Poder Executivo. Sua experiência administrativa está concentrada na atividade parlamentar.
Na eleição de 2026, o senador disputa o comando do país em uma campanha marcada pela polarização entre os campos políticos associados a Lula e Jair Bolsonaro. A votação representa o principal teste eleitoral de sua carreira e pode definir se o capital político construído pela família Bolsonaro continuará a influenciar diretamente a Presidência da República.
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