Justiça cobra Meta sobre exclusão de posts após morte em salto de rope jump em Limeira
Empresa deverá esclarecer se publicações sobre a tragédia foram apagadas e por que o perfil do grupo Entre Cordas foi desativado. Três réus ainda serão ouvidos pela Justiça


A Justiça determinou que a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, esclareça se foram apagadas publicações do grupo Entre Cordas nas redes sociais após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, durante um salto de rope jump sem cordas, na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), no dia 13 de junho de 2026. A empresa também terá que informar por que a conta do grupo no Instagram foi desativada e se a medida partiu dos próprios administradores ou da plataforma.
O questionamento surgiu durante a investigação do caso, depois que a Justiça determinou inicialmente a reativação do perfil. A decisão atendia a um pedido da defesa de Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como responsável pelo grupo e uma das quatro pessoas que estão presas.
Entretanto, uma tentativa de acesso realizada em 27 de outubro não teve sucesso. Embora o usuário e a senha fornecidos estivessem corretos, a entrada na conta exigia um código de autenticação em duas etapas, enviado para um aparelho celular que ainda não foi identificado.
Diante da dificuldade, uma nova decisão foi proferida no mesmo dia. Desta vez, a determinação à Meta ficou restrita ao envio de informações sobre possíveis exclusões de publicações feitas a partir de 13 de junho de 2026 e às circunstâncias que levaram à desativação do perfil.
Entre as possibilidades que deverão ser esclarecidas está a eventual retirada de conteúdos pelos próprios responsáveis pela página ou o bloqueio da conta pela plataforma, possivelmente em razão do volume de publicações relacionadas à tragédia.
Depoimentos dos réus
Enquanto aguarda os esclarecimentos da empresa sobre a movimentação da conta nas redes sociais, a Justiça concluiu a etapa de depoimentos das testemunhas e de Evelyne.
Para esta terça-feira (3), estão programados os interrogatórios dos outros três réus que permanecem presos: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves. Os três são instrutores diretamente envolvidos na realização do salto que terminou com a morte da jovem.
As defesas de Luis Felipe e Maicon solicitaram que a audiência fosse adiada até que a Meta apresentasse as respostas solicitadas pela Justiça. O pedido, porém, foi negado, e os depoimentos foram mantidos.
Acusações
Os quatro réus respondem por homicídio qualificado mediante dolo eventual, modalidade em que a pessoa assume o risco de provocar a morte de alguém. Evelyne também responde por fraude processual.
Na denúncia, o Ministério Público afirma que os responsáveis pela atividade conheciam os riscos envolvidos, mas não adotaram medidas de segurança consideradas necessárias. Entre as falhas apontadas estão a ausência de conferência da conexão da corda de segurança e a falta de uma segunda verificação dos equipamentos antes do salto.
As acusações foram individualizadas da seguinte forma:
- Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves: homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
- Evelyne dos Santos Gonçalves: homicídio com dolo eventual, qualificado por omissão imprópria, e fraude processual.
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