EE Brasil, de Limeira, vence Prêmio Ozires Silva de Educação
Projeto desenvolvido com apoio da Unicamp criou protótipos para combate à poluição plástica e envolveu centenas de estudantes em atividades de pesquisa e inovação


A Escola Estadual Brasil, de Limeira (SP), conquistou o Prêmio Ozires Silva de Educação, da edição 2026, com o projeto “Ecomakers: Construindo um Mundo Melhor”, desenvolvido pela professora Náyra Rafaéla Vido em parceria com estudantes, professores e extensionistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A iniciativa, criada em 2025, teve como foco o estudo da poluição causada por resíduos plásticos e a elaboração de soluções de baixo custo voltadas à preservação ambiental. O trabalho foi baseado em um problema recorrente nos centros urbanos: o descarte inadequado de lixo, que contribui para a poluição dos rios e o aumento dos riscos de enchentes.
Segundo dados da BRK Ambiental utilizados na pesquisa, 238 toneladas de resíduos foram retiradas das redes de esgoto de Limeira apenas em 2020. A partir desse cenário, os estudantes foram incentivados a desenvolver projetos utilizando conceitos de STEAM, metodologia que integra Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.
Após etapas de pesquisa de campo, os alunos criaram diferentes protótipos voltados à limpeza e preservação dos recursos hídricos. Entre eles estão o Boto Limpa-Rio, uma esteira mecânica para coleta de resíduos, o Curupira das Águas, uma bomba de sucção a vácuo destinada à remoção de partículas de microplástico, e a Iara, um equipamento desenvolvido para recolher plástico dos rios por meio de uma rede mecânica.
Além dos dispositivos tecnológicos, os estudantes produziram esculturas com materiais recicláveis, jogos educativos e um banco construído com blocos de PET-cimento.
O projeto contou com a colaboração dos professores da Unicamp João Viana e Yuri Meyer, além dos estudantes extensionistas Gabriel Doro, Gabriel Maciel, Anahita Albuquerque, Otávio Marques e Sofia Goés. Também participaram das atividades Joel Vido e o professor Jefferson Marques.
De acordo com os dados apresentados pela equipe, no início das atividades 65% dos participantes afirmavam não conhecer o conceito de microplásticos. Ao final do projeto, cerca de 85% dos estudantes conseguiam identificar esse tipo de resíduo e mais de 90% relataram mudanças em hábitos relacionados ao consumo e ao descarte de materiais em casa.
A apresentação final reuniu 643 estudantes e 28 professores. Durante a mostra, os próprios alunos ficaram responsáveis por explicar aos visitantes o funcionamento dos protótipos e os resultados obtidos ao longo do desenvolvimento do projeto.
O estudante Samuel dos Santos Pereira afirmou que a experiência mudou sua percepção sobre o descarte de resíduos. “Aprendi que pequenas atitudes fazem diferença. Hoje separo melhor o lixo em casa e explico para minha família como o plástico pode chegar aos rios e oceanos”, relatou.
Já Rafael Vaz dos Santos destacou o contato com a tecnologia durante as atividades. “Foi muito legal aprender programação e construir um protótipo que pode ajudar o meio ambiente. Nunca imaginei que conseguiria fazer isso”, comentou.
Para a professora Náyra Rafaéla Vido, a premiação representa o reconhecimento do trabalho realizado por toda a comunidade escolar. “Receber o Prêmio Ozires Silva é uma honra enorme. Essa conquista pertence aos estudantes, que abraçaram o desafio, às famílias, que apoiaram, à equipe gestora e aos parceiros da Unicamp. O mais importante foi ver os estudantes se tornarem pesquisadores e perceberem que podem ser agentes de transformação em sua comunidade”, afirmou.
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