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Estudantes da Unicamp de Limeira seguem em greve; movimento ganha força com paralisação de professores

Assembleia docente aprovou paralisação por tempo indeterminado e debateu financiamento das universidades estaduais paulistas diante da reforma tributária


Por Redação Educadora Publicado 20/05/2026
GREVE UNICAMP
Foto: Instagram/@greve.unicamp2026

Durante assembleia de docentes da Universidade Estadual de Campinas, realizada na sede da ADunicamp na sexta-feira (15), professores aprovaram greve por tempo indeterminado que está em vigor desde o dia 18 de maio. A decisão dos docentes baseia-se na necessidade de reabertura das negociações entre o Fórum das Seis e o Cruesp, bem como na manutenção do índice de reajuste apresentado pelo Fórum na reunião realizada em 14 de maio: 7,39% (IPCA + 3%).

A assembleia também foi marcada por debates sobre as negociações salariais entre o Fórum das Seis e o Cruesp, além de discussões sobre o financiamento das universidades públicas diante da reforma tributária. As intervenções apontaram preocupação com o cenário orçamentário das universidades estaduais paulistas e defenderam a ampliação da mobilização da categoria diante do impasse nas negociações.

No início da assembleia, a professora Silvia Gatti (IB), presidenta da ADunicamp, apresentou um panorama da reunião realizada em 14 de maio entre o Fórum das Seis e o Cruesp. Segundo ela, as universidades alegam dificuldades orçamentárias diante da desaceleração da arrecadação do ICMS e do comprometimento financeiro das instituições. As reitorias passaram a trabalhar com projeção de arrecadação próxima de R$ 185 bilhões para 2025, abaixo da estimativa de cerca de R$ 187 bilhões projetada pelo Grupo de Trabalho Verba do Fórum das Seis.

Ainda conforme as informações apresentadas, a Unicamp teria atualmente um comprometimento orçamentário entre 90% e 92%, percentual superior ao registrado na USP e na Unesp.

O Cruesp, afirmou a professora Silvia, também atribuiu parte da pressão financeira ao crescimento das políticas de permanência estudantil e à ampliação do acesso social às universidades públicas. Segundo ela, foi mencionado durante a reunião que mais de 50% dos estudantes das universidades estaduais paulistas hoje ingressam por políticas de cotas ou pertencem a segmentos socialmente vulneráveis.

A declaração, classificada como absurda pela própria professora Silvia, provocou indignação entre docentes que participaram da assembleia. Para os presentes, trata-se de universidades públicas que têm a obrigação de refletir o perfil da sociedade brasileira.

A professora Silvia também levou à assembleia informações sobre as reivindicações estudantis relacionadas à permanência universitária apresentadas durante a reunião entre o Fórum das Seis e o Cruesp. Segundo ela, representantes estudantis das três universidades participaram do encontro e apresentaram demandas consideradas prioritárias pelas entidades.

A reitoria da Unicamp informou que abriu uma mesa de negociação específica com os estudantes. A USP mencionou a criação de grupos de trabalho para tratar do tema, enquanto a Unesp não apresentou encaminhamentos concretos.

As entidades presentes também criticaram episódios recentes de violência policial na USP e defenderam a ampliação da mobilização das categorias diante do impasse nas negociações salariais.

Outro eixo central do debate na assembleia foi o futuro do financiamento das universidades estaduais paulistas diante da reforma tributária. De acordo com a professora Silvia Gatti, a transição do novo modelo tributário até 2033 exige atuação política imediata para evitar perdas futuras de arrecadação.

Durante a assembleia, docentes criticaram a ausência de iniciativas mais efetivas das reitorias e do governo estadual para ampliar os recursos destinados às universidades públicas. Segundo informações apresentadas pela professora Silvia, ao menos cinco emendas relacionadas ao financiamento universitário já estão em preparação para discussão da Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA), incluindo propostas voltadas aos impactos da reforma tributária.

Na avaliação apresentada durante a assembleia, o cenário político atual no governo estadual e na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo dificulta avanços imediatos na ampliação do percentual do ICMS destinado às universidades. Apesar disso, docentesdefenderam a manutenção da pressão política e da mobilização da categoria em defesa do financiamento público das universidades estaduais paulistas.

POR VITÓRIA DUARTE


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