Briga de casal envolve bebê de 2 meses e mobiliza PM em Limeira

Mulher e marido apresentaram versões diferentes sobre o que aconteceu no apartamento; polícia não manteve prisão de nenhum dos dois por falta de elementos suficientes para esclarecer a dinâmica dos fatos


Por Rafael Coelho Publicado 19/08/2026
Briga de casal envolve bebê de 2 meses e mobiliza PM em Limeira
Ocorrência foi registrada no Plantão Policial de Limeira - Foto: Educadora

Uma discussão entre um casal terminou com a Polícia Militar (PM) sendo chamada para um apartamento no Residencial Olindo de Lucca, em Limeira (SP), na madrugada desta quarta-feira (19). Durante o conflito, a filha do casal, de apenas dois meses, acabou envolvida na situação e teria sido atingida acidentalmente durante uma disputa pela criança. O boletim também registra uma denúncia de que o bebê teria sido levado para perto da janela, mas a mãe negou que o corpo da filha tenha sido colocado para fora do imóvel.

A ocorrência aconteceu por volta da 1h. Inicialmente, os policiais receberam a informação de que um homem de 33 anos teria agredido a filha durante uma discussão com a mulher, de 27 anos.

Quando chegaram ao residencial, os agentes conversaram com a mãe. Ela contou inicialmente que havia discutido com o marido e que os dois tinham se agredido. Segundo a primeira versão apresentada, durante a confusão o homem teria atingido acidentalmente, com o cotovelo, o rosto da filha, que estava no colo dela.

A mulher também informou que o marido estaria com um canivete e havia se trancado no apartamento com a bebê.

Com o apoio de outra equipe, os policiais foram até o imóvel. Após conversarem com o homem, ele abriu a porta e apareceu segurando a filha no colo.

Os agentes fizeram uma revista nele e também verificaram o apartamento, mas o canivete mencionado pela mulher não foi encontrado.

Relato sobre a janela gerou dúvida

Durante o atendimento, os policiais receberam a informação de que o homem teria se aproximado da janela com a bebê no colo e que o corpo da criança teria sido colocado para o lado de fora.

Os próprios agentes, porém, não presenciaram essa situação. Quando entraram no apartamento, encontraram a criança no colo do pai e dentro da residência.

A bebê não apresentava lesões aparentes relacionadas ao episódio. Os policiais observaram algumas manchas avermelhadas na cabeça, mas a mãe explicou que elas já existiam e eram consequência do parto.

Também não foram identificados comportamentos anormais ou outros sinais que indicassem que a criança tivesse sofrido algum ferimento durante a discussão.

Uma testemunha relatou ter visto o corpo da bebê completamente exposto para o lado externo da janela enquanto o homem a segurava com as duas mãos. A testemunha, porém, era amiga íntima da mulher e não prestou compromisso formal de testemunhar.

Mãe muda versão sobre as agressões

Ao prestar depoimento, a mulher negou ter sido agredida ou ameaçada pelo marido. Ela também afirmou que não sofreu lesões durante a discussão.

Segundo a mulher, o conflito começou porque o marido pediu R$ 500 para pagar uma dívida com o pai. Ela recusou entregar o dinheiro porque precisava utilizá-lo nas despesas da casa e dos filhos.

A discussão aumentou quando o homem teria tentado sair do apartamento levando a filha de dois meses. A mãe se opôs porque a criança ainda era amamentada.

Durante a disputa para pegar a bebê, segundo a mulher, o marido tentou empurrá-la e a criança acabou sendo atingida acidentalmente pelo cotovelo. Ela disse não conseguir afirmar qual dos dois provocou o contato, porque tudo aconteceu rapidamente.

Ainda conforme o relato, a bebê apenas se assustou e começou a chorar.

A mulher afirmou que o marido não tentou agredi-la ou ameaçá-la de propósito e negou que ele tenha usado uma faca ou canivete.

Ela também negou que o homem tenha colocado a filha para fora da janela. Segundo sua versão, ele permaneceu dentro do apartamento, próximo à janela, segurando a criança e pedindo ajuda aos vizinhos porque estava trancado no imóvel.

Casal admite agressões durante a discussão

A mulher reconheceu que mordeu o marido e o atingiu com uma panela durante o conflito.

Ela afirmou que essa foi a primeira discussão mais intensa entre os dois, que estão juntos há aproximadamente quatro anos. Também disse que não queria pedir medidas protetivas contra o companheiro.

A mulher informou ainda que pretendia voltar para casa e viajar para São Paulo no dia seguinte. Disse que o marido poderia ficar na casa do padrasto, evitando que os dois retomassem imediatamente a convivência.

O homem, por sua vez, negou ter agredido ou ameaçado a mulher e também negou que estivesse com um canivete.

Ele confirmou que a discussão começou por causa dos R$ 500 e afirmou que não queria entregar a filha à mãe porque, segundo ele, ela havia consumido bebida alcoólica e estava exaltada.

O homem contou que a mulher atingiu acidentalmente o braço da bebê durante a movimentação e, por isso, pegou a criança no colo e não a entregou novamente.

Segundo ele, a mulher o agrediu com tapas, mordidas, arranhões e uma panela. Ele afirmou que não revidou.

Homem diz que foi até a janela para pedir ajuda

Sobre a situação envolvendo a janela, o homem afirmou que estava trancado no apartamento com a filha e se aproximou da janela apenas para pedir ajuda aos vizinhos.

Ele disse que também queria acalmar a bebê, permitindo que ela olhasse para o céu e recebesse ventilação. Negou ter colocado a criança para fora do apartamento ou ter colocado a vida dela em risco.

Segundo o homem, uma vizinha que mora no andar de cima chegou a pedir que ele saísse da janela porque temia que a bebê pudesse cair.

Ele afirmou que essa vizinha teria um conflito anterior com ele e atribuiu a ela a versão de que teria colocado a filha para fora do apartamento.

O homem também manifestou interesse em registrar queixa contra a mulher pelas lesões que disse ter sofrido. Ele informou que tinha outro lugar para ficar e afirmou não ter sofrido violência durante a abordagem policial.

Nenhum dos dois foi preso

O delegado de plantão analisou as diferentes versões apresentadas e concluiu que ainda havia dúvidas importantes sobre o que realmente aconteceu dentro do apartamento.

Entre os pontos sem esclarecimento está se a bebê chegou efetivamente a ser colocada em situação de risco junto à janela, se houve intenção de matar a criança e qual foi exatamente a dinâmica das agressões entre o casal.

Também pesou na decisão o fato de o canivete mencionado inicialmente não ter sido encontrado, não haver registros de imagens e os policiais não terem presenciado os acontecimentos.

A mãe também negou as agressões e a ameaça que haviam sido relatadas inicialmente aos agentes.

Por outro lado, o homem apresentou lesões descritas em atendimento médico e afirmou que pretende responsabilizar a mulher pelas agressões. O boletim registra que ainda não foi possível determinar se os atos admitidos por ela ocorreram em defesa da filha ou em outra circunstância.

Foi solicitado exame médico relacionado às lesões do homem. A mulher recusou atendimento médico.

Diante das dúvidas, o delegado decidiu não prender nenhum dos dois em flagrante. O casal foi ouvido e liberado, enquanto as investigações continuam para esclarecer a dinâmica da ocorrência.

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