Golpe do falso PIX é descoberto por comerciante durante venda de pneus em Limeira

Comerciante desconfiou de comprovante de pagamento, acionou a Polícia Militar e impediu prejuízo de mais de R$ 1,3 mil; outro empresário também teria sido enganado pelo mesmo golpista


Por Rafael Coelho Publicado 07/08/2026
Golpe do falso PIX é descoberto por comerciante durante venda de pneus em Limeira
Ocorrência foi registrada no Plantão Policial de Limeira - Foto: Reprodução/Magnific

Um comerciante de 59 anos evitou um prejuízo de aproximadamente R$ 1.356 após desconfiar de um comprovante de PIX enviado por um suposto cliente durante a negociação de quatro pneus novos, em Limeira (SP). A ação da Polícia Militar (PM) permitiu localizar rapidamente a carga e recuperar toda a mercadoria, que já havia sido transportada por um motorista de aplicativo até outra empresa da cidade.

Segundo o boletim de ocorrência, o proprietário de uma loja de pneus recebeu, durante a manhã desta quinta-feira (6), uma mensagem pelo WhatsApp de um homem interessado na compra de quatro pneus novos. Após negociar o valor, o suposto cliente informou que faria o pagamento à vista por PIX e enviou um comprovante aparentemente regular da transferência.

Inicialmente, o comprador disse que a esposa buscaria os produtos. Depois, informou que enviaria um motorista para fazer a retirada da mercadoria.

Pouco depois, um motorista de aplicativo, de 44 anos, compareceu ao estabelecimento para retirar os pneus. Antes de entregar os produtos, porém, o comerciante desconfiou do comprovante e entrou em contato com o gerente do banco, que informou haver indícios de fraude e confirmou que nenhum valor havia sido creditado na conta da empresa.

Ao questionar o suposto comprador sobre a ausência do pagamento, o homem interrompeu imediatamente o contato. Em seguida, o comerciante acionou policiais militares, fornecendo informações sobre o veículo utilizado para retirar os pneus.

Com os dados repassados, a Polícia Militar emitiu um alerta e localizou o automóvel estacionado em frente ao endereço cadastrado do motorista.

O motorista explicou que trabalha por meio das plataformas Uber e 99 e que havia recebido uma solicitação de corrida em nome de um usuário identificado como “David”. Segundo ele, acreditava inicialmente que faria o transporte de um passageiro, mas, ao chegar ao estabelecimento, recebeu pelo próprio aplicativo a orientação para retirar quatro pneus e entregá-los em outra empresa, localizada na Avenida Fausto Esteves dos Santos, no bairro Cecap.

Ainda conforme seu relato, o solicitante informou que a corrida seria paga normalmente e que ele receberia mais R$ 20 pelo serviço. O motorista afirmou que não desconfiou da negociação, já que toda a comunicação ocorreu pela plataforma. Ele também contou que gravou um vídeo mostrando a fachada da empresa onde fez a entrega, os pneus transportados e a placa do veículo, disponibilizando espontaneamente as imagens aos policiais.

Segundo o boletim, ao entregar os pneus, o motorista recebeu R$ 31,20 referentes ao frete, valor pago pelo destinatário da carga.

Com essas informações, outras equipes da PM seguiram até a empresa indicada e localizaram os quatro pneus. O proprietário do estabelecimento, de 34 anos, autorizou a entrada dos policiais, permitindo que a mercadoria fosse recuperada e devolvida ao dono.

Em depoimento, o empresário informou que também havia recebido uma proposta pelo WhatsApp, enviada de um número com DDD 31. Segundo ele, o interlocutor ofereceu quatro pneus novos por aproximadamente R$ 700. Embora tenha considerado o valor abaixo do praticado no mercado, acreditou que a negociação era verdadeira porque o vendedor o chamou pelo nome e informou que entregaria os produtos.

O comerciante contou que foi avisado posteriormente de que um motorista faria a entrega dos pneus. Ao receber a carga, pagou apenas o valor do transporte, R$ 31,20, e afirmou que pretendia efetuar o pagamento pelos pneus somente depois de concluir a negociação. Ainda segundo seu relato, após a entrega, o suposto vendedor voltou a entrar em contato oferecendo mais quatro pneus, situação que despertou sua desconfiança.

O proprietário da loja que seria a vítima da fraude confirmou aos policiais toda a negociação e informou que o golpista enviou um comprovante falso de PIX para tentar convencê-lo a liberar a mercadoria. Assim que foi questionado sobre a falta do crédito bancário, o suspeito deixou de responder às mensagens.

Durante o registro da ocorrência, um policial militar informou que somente naquele dia outras quatro ocorrências com o mesmo modo de agir haviam sido registradas em Limeira. Conforme o relato, o criminoso utilizava um número de telefone com DDD 31 para entrar em contato com lojas do ramo de pneus, enviava comprovantes falsos de PIX e utilizava motoristas de aplicativo para retirar as mercadorias.

Segundo o boletim, em pelo menos um dos casos foi identificado um comprovante de pagamento com os mesmos dados utilizados nesta ocorrência, inclusive indicando um pagador identificado como “Gilberto”, o que, de acordo com a polícia, pode indicar a atuação do mesmo golpista ou de um mesmo grupo criminoso. Outra empresa do setor de pneus, localizada na Avenida Piracicaba, também teria sido alvo da mesma fraude.

As investigações apontam que tanto o motorista de aplicativo quanto o empresário que recebeu os pneus agiram de boa-fé e, até o momento, não há indícios de participação deles no golpe. Toda a mercadoria foi recuperada e devolvida ao proprietário, evitando prejuízo na venda. Já o caso envolvendo o empresário que negociava a compra dos pneus continuará sendo apurado, já que, segundo o boletim, ele teria realizado uma transferência de aproximadamente R$ 700 ao golpista, acreditando que a negociação era verdadeira.

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