Homem é preso após controlar celular e ameaçar autonomia da companheira no Jd. Lagoa Nova, em Limeira

Mulher relatou que o companheiro acessou mensagens sem autorização, danificou seu telefone e a impediu de sair de casa; casal está junto há 17 anos


Por Rafael Coelho Publicado 27/10/2026
Homem é preso após controlar celular e ameaçar autonomia da companheira no Jd. Lagoa Nova, em Limeira
Ocorrência foi registrada no Plantão Policial de Limeira - Foto: Rafael Coelho

Um homem de 39 anos foi preso em flagrante na tarde desta segunda-feira (26), por volta das 17h30, suspeito de violência psicológica e acesso indevido ao celular da companheira, de 47 anos, em Limeira (SP). Segundo o boletim de ocorrência, a mulher relatou que teve mensagens e fotografias acessadas sem autorização, o telefone danificado e foi impedida de sair de casa durante uma discussão. O caso aconteceu na Avenida Antônio Conselheiro, no Jardim Lagoa Nova, e foi atendido pela Guarda Civil Municipal (GCM).

A equipe foi acionada após uma denúncia de agressão contra mulher, acompanhada da informação de que o homem estaria armado. Ao chegar ao endereço, os guardas encontraram o casal na calçada da residência, mas não localizaram nenhuma arma com o suspeito. Ele colaborou com a abordagem e informou que possuía três objetos semelhantes a armas dentro de casa, que foram entregues aos agentes.

Em depoimento, a mulher contou que mantém um relacionamento com o homem há aproximadamente 17 anos e que os dois têm uma filha de seis anos. Segundo ela, nos últimos anos, o companheiro passou a controlar cada vez mais suas comunicações, questionando contatos pessoais e interferindo em suas decisões.

A vítima relatou que, ao acordar naquela segunda-feira, encontrou o companheiro no banheiro mexendo em seu celular. Ele teria acessado mensagens, fotografias e outros conteúdos, além de encaminhar arquivos para o próprio aparelho. Depois, passou a cobrar explicações sobre conversas e relacionamentos pessoais, acusando-a de infidelidade.

Ainda conforme a mulher, o companheiro queria ficar com seu celular durante o dia. Ela se recusou, explicando que precisava do aparelho para trabalhar, momento em que ele teria jogado o telefone no chão, danificando-o. A vítima afirmou que tentou sair de casa, mas foi segurada e empurrada de volta para o interior da residência, precisando chamar um vizinho para pedir ajuda.

A mulher também contou que o companheiro foi até uma loja da operadora de telefonia e passou a utilizar seus contatos, enviando mensagens a outras pessoas como se fosse ela. Segundo seu relato, conseguiu pedir socorro usando outro telefone. Ela afirmou sentir medo das reações do homem, principalmente quando o assunto era uma possível separação, e solicitou medidas protetivas de urgência.

Ouvido na delegacia, acompanhado de advogado, o homem admitiu que pegou o celular da companheira enquanto ela dormia e consultou mensagens e fotografias por suspeitar de uma traição. Ele alegou, porém, que posteriormente a mulher lhe entregou o aparelho e que houve uma discussão sobre seu uso. Também confirmou ter solicitado o bloqueio da linha telefônica, que estaria cadastrada em seu CPF, e enviado uma mensagem a outra pessoa fingindo ser a companheira para tentar confirmar suas suspeitas. Ele apresentou uma versão diferente sobre os desentendimentos e afirmou que pretendia deixar a residência.

Sobre a denúncia de que estaria armado, o homem explicou que os três objetos encontrados eram equipamentos de airsoft, sendo dois a gás e um elétrico, adquiridos por meio de um conhecido ligado a um comércio de Santa Bárbara d’Oeste (SP). Ele não apresentou comprovantes de compra. Embora um dos guardas tenha relatado a informação de que o suspeito estaria com um desses objetos na cintura, a mulher não confirmou essa situação em seu depoimento formal. Por isso, o possível uso dos equipamentos durante a discussão ainda será esclarecido.

Após analisar os relatos, a autoridade policial confirmou a prisão em flagrante por suspeita de violência psicológica contra a mulher e acesso indevido a informações privadas do celular. O homem permaneceu à disposição da Justiça, sem fiança estabelecida na delegacia. O pedido de medidas protetivas feito pela vítima foi encaminhado para análise judicial.

O celular do suspeito foi apreendido para preservar possíveis provas, mas a análise de seu conteúdo dependerá de autorização judicial. Os três equipamentos de airsoft também foram recolhidos para identificação e esclarecimento de eventual relação com a ocorrência. A Polícia Civil continuará investigando o caso, inclusive as divergências entre os depoimentos. A danificação do telefone foi considerada, inicialmente, parte do contexto de violência psicológica, sem registro de uma acusação separada por esse fato.

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