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Agenda apreendida aponta articulações prévias e suspeita de propina em contrato da robótica em Limeira

Registros atribuídos a empresário investigado indicam articulações desde 2021 e citam ex-chefe de gabinete em encontros na cidade


Por Redação Educadora Publicado 16/04/2026
Agenda apreendida aponta articulações prévias e suspeita de propina em contrato da robótica em Limeira

Anotações atribuídas ao empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Educacional e apontado pela Polícia Federal (PF) como responsável por um esquema de fraudes em licitações, indicam que tratativas relacionadas ao contrato de kits de robótica em Limeira (SP) teriam começado ainda em 2021, antes da abertura de qualquer processo oficial.

Os documentos mostram registros de compromissos, reuniões e menções a contatos com pessoas ligadas à administração municipal. Entre os nomes citados nas anotações está o do ex-chefe de gabinete Edison Moreno Gil, além de referências a outros interlocutores identificados como “Luiz”, “Daniel” e “Mario” — este último sem confirmação se seria o ex-prefeito Mario Botion.

De acordo com a análise da Polícia Federal, o material sugere que o empresário já integrava, desde aquele período, uma estrutura voltada à manipulação de processos licitatórios em diferentes municípios paulistas. Em Limeira, os registros indicam encontros e “cafés” com agentes públicos desde o início do segundo mandato de Botion, o que, segundo os investigadores, pode apontar para articulações prévias ao lançamento dos editais.

As anotações também apresentam evolução ao longo de 2021, com referências a valores elevados, definição de estratégias e uso de termos codificados. Um dos principais pontos destacados pela investigação é o uso recorrente da palavra “café”, que, conforme interpretação da Polícia Federal no âmbito da Operação Coffee Break, seria uma referência a repasses de dinheiro em espécie, indicando possíveis pagamentos de propina.

Ainda segundo os documentos, a estrutura do negócio teria sido delineada antes mesmo da formalização dos processos públicos, incluindo definição de parceiros, modelo de contratação e previsão de ganhos financeiros. A linha do tempo levantada aponta que primeiro ocorreram reuniões e alinhamentos internos, seguidos pela estruturação do projeto e, posteriormente, a abertura das licitações que resultaram nos contratos.

A investigação também descreve o funcionamento do suposto esquema, que envolveria direcionamento de editais para favorecer a empresa Life Tecnologia Educacional. De acordo com a apuração, os termos de referência eram elaborados de forma a restringir a concorrência, permitindo que apenas os produtos da empresa atendessem às exigências.

Além do fornecimento de materiais educacionais como livros, plataformas digitais, treinamentos e conteúdos interativos , o grupo investigado também teria estruturado um sistema de repasse de valores a intermediários e agentes públicos, viabilizado por meio de superfaturamento dos contratos.

As apurações citam ainda a atuação do empresário em outras cidades, como Sumaré (SP), Hortolândia (SP) e Morungaba (SP), onde contratos semelhantes teriam sido firmados dentro do mesmo modelo investigado.

O caso integra a Operação Coffee Break, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em contratos públicos. A Polícia Federal segue analisando os documentos apreendidos, incluindo agendas e registros financeiros, para aprofundar a identificação dos envolvidos e a extensão do esquema.

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