Caso Maria Eduarda: testemunhas depõem em audiência sobre morte na Ponte do Esqueleto

Primeira audiência de instrução ocorreu no Fórum de Limeira e ouviu quatro testemunhas de acusação; nova sessão está marcada para quarta-feira (23)


Por Redação Educadora Publicado 18/09/2026
Caso Maria Eduarda testemunhas depõem em audiência sobre morte na Ponte do Esqueleto

Quatro testemunhas de acusação prestaram depoimento nesta quinta-feira (17), durante a primeira audiência de instrução do processo que investiga a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, jovem que morreu após ser lançada sem cordas durante um salto de rope jump, em 13 de junho deste ano, na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP). A sessão ocorreu de forma híbrida, começando às 12h30 e terminando às 18h.

O processo terá uma nova etapa na próxima quarta-feira (23), quando outras testemunhas deverão ser ouvidas pela Justiça. Depois dessa fase, estão previstos os interrogatórios dos quatro réus.

Respondem ao processo Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves. Os três primeiros são instrutores diretamente envolvidos no salto realizado pela vítima, enquanto Evelyne é apontada como organizadora do evento. Todos estão presos preventivamente.

Os quatro foram denunciados por homicídio com dolo eventual qualificado. No caso de Evelyne, também há acusação de fraude processual. Segundo a definição apresentada na denúncia, o dolo eventual ocorre quando não existe a intenção direta de matar, mas a pessoa tem conhecimento de que sua conduta pode provocar a morte e, ainda assim, assume esse risco.

O que diz a denúncia

De acordo com o Ministério Público (MP), os responsáveis pela realização do salto conheciam os riscos envolvidos na atividade, mas não teriam adotado medidas de segurança consideradas necessárias. Entre os procedimentos citados estão a conferência da conexão da corda de segurança e a dupla checagem dos equipamentos.

A acusação classifica a situação dos três instrutores — Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves — como homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Já Evelyne dos Santos Gonçalves responde por homicídio com dolo eventual, qualificado por omissão imprópria, além de fraude processual.

O Ministério Público também afirma que o grupo não teria uma divisão clara das funções, explorava comercialmente a atividade sem cumprir as exigências legais aplicáveis e dava prioridade a interesses econômicos e à divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes.

Como funciona o rope jump

O rope jump utiliza cordas estáticas, que não possuem elasticidade. Depois da queda, a pessoa passa a realizar um movimento de balanço, semelhante ao de um pêndulo.

A modalidade é diferente do bungee jump, mais conhecida pelo público. Nesse caso, é utilizada uma corda elástica, que provoca o movimento de queda seguido de sucessivos impulsos para cima e para baixo.

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